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(por Isabela)

Era um sonho que se passava em um dia.
Ela saía de casa em uma manhã com o objetivo de fazer as coisas mudarem. Pegava um casaco, porque de noite sempre esfriava. E algumas coisas nunca mudam. Ela se permitiu não reclamar naquele dia e começou a reparar em tudo o que tinha ao seu redor. Ao invés de ficar presa em meio aos seus pensamentos turbulentos, permitiu que sua mente guardasse o rosto das pessoas que passavam por ela. Provavelmente elas já deveriam ter passado outras vezes no caminho, mas nunca notou. Lembrou-se de um filme que assistiu, onde falaram que às vezes o que mais precisamos está bem ao nosso lado e nós só precisamos enxergar. Na segunda etapa, ela resgatava algumas coisas que tinha perdido. Uma amizade, um possível amor, uma blusa que não comprou porque se importou com o que as pessoas iriam pensar. A terceira fase era não se importar. Afinal, ninguém se importava mesmo. Fechou uma viagem para o país que sempre tivera vontade de conhecer. Nunca sequer havia saído do seu estado. Tudo isso porque estava presa em sua própria bolha. Ela também começou a se desapegar naquele dia. Das roupas que não usava, das pessoas que não falava. O novo plano era seguir uma vida mais leve e conquistar tudo o que era novo para ela. Era impossível fazer isso com tanto acúmulo de coisas. Percebeu que ela precisaria deixar os braços livres se quisesse abraçar as coisas novas. No final do dia, ela estava mais solta. A cabeça e os ombros não pesavam. As perguntas tinham ficado para trás e dado lugar para várias respostas. Quando deitou na cama naquele noite, ela não deu espaço aos sonhos, porque sabia que a partir de amanhã ela iria torná-los realidade.
E então ela acordou e percebeu que estava certa. Para fazer as coisas mudarem, ela só precisava começar a fazer.

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