#008

04:49

(por Adriana)

Um emaranhado de nós. De pessoas e de gravatas. Nós de braços e nós de afetos. Eu.
Quando tudo vai o silêncio entra e passa por onde não passava ninguém. Passa e fica. Se cala. E depois busca um recomeço. 
Difícil recomeço para os esquecidos, onde o final nunca chega. Difícil recomeço para os sentimentos, onde já ficaram esquecidos, emaranhados em nós. Ou apenas em um. Nó.
Falha a caneta que não escreve, que não discorre o que o pulso precisa. Tudo fica atrofiado na garganta, o grito nunca sai e forma mais um nó. Dessa vez um nó sozinho, sem plural, sem nós. 
O recomeço é difícil, dolorido para quem nunca conseguiu terminar. Que os nós desfaçam, mas não sumam. Fiquem. Nada precisa ser sozinho, nem nó, nem nós.

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