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11:09

(por Isabela)

É muito mais fácil escrever sobre aquilo que te machuca e te incomoda todos os dias. Sobre aquilo que te faz não conseguir dormir e é a primeira coisa que vem a sua cabeça quando você abre os olhos pela manhã. As angústias, as incertezas e as decepções fazem com que você volte à terra depois de passar um período flutuando nas nuvens no mundo dos sonhos. Naquele mundo perfeito, onde não havia nada que pudesse te deixar infeliz (pelo menos era o que você achava). E com isso, você passa a ver vários conflitos que existiam e você não conseguia enxergar.
Eu não conseguia enxergar. 
Falo para todo mundo que o ficar sozinha me fez uma pessoa diferente de quando eu tinha sempre alguém. Eu só consegui me conhecer realmente, bem à fundo, quando me permiti sentir todos os meus medos e chorar enquanto escutava alguma música que me lembrava várias coisas. O estar sozinha me fez ser sozinha e fez com que eu me olhasse no espelho e reparasse em cada coisa que estava errada e que eu tentava desfaçar com o delineador para os meus olhos parecerem mais abertos. Mas a questão é que eles estavam fechados para muita coisa, me impossibilitando antes de conseguir ver tudo o que não me fazia feliz. 
Passei por um tempo onde meus sentimentos ficaram misturados e eu não conseguia mais saber o que sentia. Não sabia se gostava da situação que estava ou se era pior essa confusão do que a certeza de que eu não estava bem. Eu não sabia como estava. E essa dúvida me fazia querer mudar drasticamente. Eu queria fugir, me esconder, nunca mais voltar. Queria que meu mundo virasse de ponta cabeça, que eu me proporcionasse isso e não dependesse de ninguém. 
Mas eu não sabia exatamente como.
Eu perdi minhas inspirações e minha vontade de fazer as coisas. Querer muito, no fim, acaba te deixando com nada. Então percebi que era exatamente isso que eu precisava mudar. Precisava parar de querer tudo e começar a me querer bem. O principal objetivo era ser feliz e eu era, eu sou, a única pessoa responsável por isso. Admiti para mim mesma todos os meus medos. Me olhei no espelho e disse em voz alta tudo aquilo que não estava certo. Tirei a maquiagem de pensamentos otimistas e limpei minha mente. Assim como a pele que fica com base e corretivo o dia inteiro, ela também precisava respirar no fim do dia. 
Hoje eu não escrevo mais sobre o que me perturba. Escrevo sobre os meus planos, sobre mudar, sobre aprender a me amar. Eu não posso me trair, não posso me deixar esperando. Posso me permitir sonhar, posso fazer o que quero, posso admitir que minha independência só é bonita quando ela é compartilhada com mais alguém. Ninguém é feliz sozinho, mas a solidão pode te ensinar a ser feliz.

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