#013

14:13

(por Isabela)

Imagine que você está dirigindo em alta velocidade em uma estrada, sem carros na sua frente, sem carros atrás de você. O rádio está ligado, uma daquelas músicas que você gosta de cantar alto e junto está tocando. O seu vidro está aberto, o vento bate no rosto, bagunça seus cabelos, mas você não se importa. Está fazendo sol, seus óculos escuros te protegem da claridade. Você está indo se encontrar com seus amigos no interior. Se sente completo, inteiro. Seus pensamentos estão no videoclipe que você está criando na sua cabeça para a música que está tocando. E então, sem você perceber, surge um animal na estrada, bem no meio da pista, e você é obrigado a parar. Pisa no freio tão forte, que parece que o cinto de segurança não vai conseguir te segurar. Seu coração acelera, cada vez mais perto do animal; parece que não vai dar. Você desvia por instinto, o carro derrapa na estrada, você não tem mais controle. Acabou, você pensa. É agora. Mas e tudo o que eu ainda tenho pra fazer? Você se pergunta. Mas então o carro para. Sua respiração está ofegante, seu coração nunca bateu tão forte. Você olha para o animal e ele sai calmamente da pista. Você está bem. Está vivo.

Uma vez eu vi uma frase que dizia "A vida é esse eterno segura que vai bater." E a gente segue a vida assim, confiando extremamente em um cinto de segurança para nos salvar. Não falo isso só como observadora da vida alheia (ou enxerida?), falo com propriedade porque eu mesma sou assim. Às vezes entramos no automático, somos cegados pelo comodismo e esquecemos que temos um futuro. A gente só acelera, esperando que qualquer hora pode ter um acidente, que vai dar ruim. Esquecemos que nossas ações refletem na vida de outros, assim como quando estamos dirigindo: em controle de uma máquina. E se você, em alta velocidade, não cria a consciência do que pode causar, a vida dá um jeito de te parar, de te fazer pisar no freio bruscamente e algumas vezes até puxa o freio de mão por você, com o carro ainda em movimento. Só aí, depois do susto, depois de ver o que você quase causou (ou o que de fato causou), que você reflete sobre suas ações. Sobre os planos que deixou para depois. Os obrigados que não disse. A gentileza e empatia que ficaram para trás.

Continuando com a comparação, isso me faz pensar que as vezes é melhor deixar o carro em casa por alguns dias e sair de bicicleta ou a pé. A nossa mente fica tão condicionada a certas ações, tomada pela rotina, que só tomando um susto pra perceber tudo o que estamos perdendo e deixando passar. Às vezes é melhor desacelerar e esquecer que tem airbag. A vida não precisa ser uma eterna expectativa para um acidente. Você não precisa sempre se prender a alguma coisa por medo de bater. Às vezes só é preciso errar o caminho de propósito, desligar o seu waze interior (aquela vozinha robótica que não deixa você perder a rotina), olhar ao redor de si mesmo e ser o cinto de segurança, a sua própria salvação.

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