#018

14:24

(por Adriana)

Tive que passar pelo fim de mais uma fase da vida, que chegou, para mim, do nada. Sempre relutei quanto a esses finais, e infelizmente nunca os vi como recomeços ou mudanças necessárias para um crescimento pessoal.
Achei que entraria em um poço, o qual conheço bem, que é escuro e fundo, e que nada mais faria sentido. Só que esse fim foi, na verdade, um tapa na cara que a vida me deu. Foi um sacolejo junto com um grito: "ACORDA!".

E acordei. Acordei a tempo de ver que eu tinha que ser a única dona da minha caminhada. Que eu tinha que me amar acima de qualquer coisa e ver que esse era o amor que mais importava. E a opinião que mais importava. O carinho que nunca poderia deixar de lado. Jamais.

Passei por fases que pareciam nunca acabar, entrei em buracos que achei que nunca iria sair, deixei roxos que achei que nunca sumiriam. Mas acabaram, saíram, sumiram.

Passei a entender quando RuPaul dizia "é melhor você amar a si mesmo antes de amar alguém". E é isso. Está tão perto e às vezes buscamos tão longe esse amor e esse carinho. Conheci tantas pessoas novas, retomei o contato com algumas antigas, conheci em tão pouco tempo novos lugares e tive tantas experiências. E tudo isso porque parei de buscar nos outros o que estava em mim o tempo inteiro.

Quando tudo aconteceu, sabia que poderia voltar a me achar o pior ser humano do mundo, mas ao invés disso, procurei por uma fotógrafa que admiro muito e marquei um ensaio. Queria olhar para mim e dizer que sou incrivelmente perfeita do jeito que sou. Por fora e por dentro. Que eu posso ser só amor e luz. Que eu posso continuar mudando o meu mundo do meu jeito e que isso vai refletir em todas as questões que eu desejo uma mudança maior, em mim ou no mundo. Que posso ser uma corrente de boas energias e que isso fará bem a todos que convivem comigo. E que essa energia possa ser doada a quem precisa, compartilhada com quem desejar. Que seja um fluxo infinito de coisas boas.

E hoje vejo uma Adriana que se sente bem com ela mesma. Que a companhia dela não a deixa angustiada, que alguns fantasmas não assombram mais e que busca levar uma vida leve e tranquila. Uma Adriana que parou de se cobrar tanto, que parou de relutar tanto, que passou apenas a viver. E entender que algumas situações aparecem e precisam ser encaradas. E que o conhecimento seja um dos instrumentos para o crescimento íntimo.

Hoje sou o que quiser. Sou amigos, sou amor, sou desconhecido. Sou ser, sou humano. Sou explosão e calmaria. Sou mulher. A mulher da minha vida.

"If you can't love yourself. How in the hell you gonna love somebody else? Can I get an amen?" 

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