#016

12:18

(por Adriana)
      
Aquela vontade de conseguir se expressar bem novamente com palavras, vírgulas e pontos finais vem me atormentando há alguns anos, desde que conseguia perfeitamente colocar tudo o que sentia em papeis.

SUMIU.

Há algum tempo sinto essa necessidade bater a minha porta, mas sempre fico sem jeito de abrir e dizer que desaprendi. Que desacostumei.
Hoje é uma tarde de um inverno que eu gosto, o céu está azul com algumas nuvens cinzas. Minhas mãos estão geladas e a fumaça não para de sair do copo de plástico onde encontra-se meu café. Mas tudo isso vem seguido de um ócio que não estou conseguindo preencher. Primeiro, que não consigo ir embora. Estou no meu trabalho e tenho que cumprir meu horário. Depois, que eu já perguntei a todos se precisavam de alguma ajuda e a resposta sempre negativa. Eu fiquei na minha cadeira em todas as posições possíveis, coloquei o pequeno bloco de papeis que se encontra do meu lado em todos os lugares que dava. Escrevi algumas palavras de lápis nos post its que estão colados em algum lugar. E nada. Nada me preenchia, não me sinto produtiva quando fico parada.

Então voltei.

Vi que ficar enrolando o tempo não faria ele passar mais rápido. Abri o Word e comecei o meu texto, o meu texto da volta com o que eu estava sentindo e não queria sentir.
O texto que fez relembrar que mesmo sentada e sem trabalho para fazer eu posso fazer o que eu quiser. Posso sair daqui, ir até a Lua e voltar. Posso dar uma nova chance a minha imaginação e a minha criatividade que achei que havia se perdido ao longo dos anos, havia ficado com aquela adolescente que só escrevia e sonhava, que ia no mesmo dia para Nova York e Londres. Que namorava quem ela quisesse pelo simples fato que ela podia.
São dessas pequenas coisas que tenho que trazer para o meu dia, que eu tenho que viajar no meio das minhas palavras, me permitir sonhar e escrever.


Hoje transformei meu ócio em poesia. 

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