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09:28


Talvez Dezembro seja meu mês favorito do ano. Os dias têm uma energia diferente, tem luz do sol por mais tempo, tem aquele gostinho de “então é Natal, e o que você fez?”. O que eu fiz? É inevitável não se perguntar isso. Vejo tanta gente falando que 2016 não foi um ano fácil, e realmente não foi, mas… Isso o torna um ano ruim? Acho que a dificuldade faz com que a gente fique mais esperto, mais inteligente, mais rico de conhecimento. Se a gente não tivesse os problemas, sairíamos do lugar? Ou ficaríamos estagnados em um dia igual ao outro para sempre? Em Dezembro, eu olho pra trás e vejo quanta coisa passou. Onze meses. Mas eu vivi cada dia desses onze meses? São 4015 dias que que passaram sem nem ao menos eu perceber. E isso não é bom. Bom é quando a gente deita a cabeça no travesseiro de noite e respira fundo e pensa “Puxa! Quanta coisa que eu fiz!”. Se eu faço esse exercício, se eu volto minha memória para cada um desses quatro mil dias, eu vou perceber que puxa! eu poderia ter feito tão mais. A gente tem essa mania besta de reclamar que o tempo passa muito rápido, mas não fazemos valer cada segundo. E aqui eu não falo sobre largar o emprego e ter um ano sabático, ou sobre ter finalmente pulado de paraquedas e feito uma tatuagem na nuca escrito carpe diem. Eu falo sobre viver mesmo. Respirar fundo, parar para contemplar as pequenas belezas que existem ao nosso redor, sorrir, amar, se entregar. Quantos dias me prendi. Quantas vezes achei que era melhor não. Achar. A gente acha tanto, pensa tanto, duvida tanto. Se não achássemos e fôssemos, nós seríamos. Seríamos tudo aquilo que pensamos que nunca conseguiríamos. E a gente consegue tanto. Dezembro, pra mim, significa querer. Querer ser mais. Eu olho para trás, mas não me demoro. Por que, em Dezembro, o que eu mais quero é olhar pra frente e ver que tenho mais doze meses pra tentar, pra errar, pra ser melhor. Eu sou aquele tipo de pessoa que se emociona na noite de Ano Novo, mas não deixa ninguém ver. Sou aquela pessoa que, no dia primeiro de Janeiro se despede de Dezembro e pede. Eu fecho meus olhos e eu peço tudo o que o meu coração precisa. Peço amor, peço paz, peço que eu seja melhor. Eu peço para fazer, para ser, para aproveitar da melhor forma cada dia que Deus me der. Talvez, o que eu mais goste de Dezembro, é que eu agradeço constantemente por tudo o que sou e por tudo o que tenho. Porque, para mim, melhor do que pedir, é agradecer. Fechar os olhos e deixar que todos os ciclos que eu comecei nos primeiros minutos do ano se fechem. Que se fechem, mas que se abram novos logo em seguida. Eu peço, em Dezembro, para que eu nunca deixe de querer. De acreditar. De ser. 
Escrevendo isso, eu tento não me emocionar (eu avisei), porque 2016 não foi fácil mesmo, e que bom que não foi. Se a dificuldade me fez ser o que eu sou hoje, em 2016 eu descobri que não preciso ter medo de nada, porque tenho forças e eu consigo sim tirá-las de lugares que nunca imaginei. Ainda é começo de Dezembro e meus ciclos ainda não se fecharam. Dezembro também é a última chance. E que cada uma delas seja aproveitada, seja querida, seja vivida. 
E que assim seja. 
Que se deseja. 

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