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Por Lugares Incríveis conta a história de uma garota que descobriu como viver a vida com um garoto que queria morrer. Essa é a frase que aparece na capa da versão em inglês do livro, All The Bright Places, e foi o suficiente para me fazer querer comprá-lo. É uma história que trata da depressão de forma aberta, que só quem já teve ou já conviveu diretamente com uma pessoa depressiva consegue reconhecer e se identificar. 


Precisamos falar sobre a saúde mental. Precisamos de mais livros como este, que mostram a realidade da mente de uma pessoa com algum tipo de transtorno. Precisamos de pessoas que, como a Jennifer Niven, a autora deste livro, usem sua voz para falar da importância que é cuidar da sua mente, tanto quanto da saúde do seu corpo. A saúde mental precisa deixar de ser um tabu e a depressão precisa ser vista sim como uma “doença dos tempos modernos”, porque nós precisamos aprender a lidar com isso. Precisamos deixar que a depressão seja sentida, e precisamos dar todo o apoio que conseguirmos caso alguém que a gente conheça comece a apresentar os sintomas. Usando uma frase clichê, que vem circulando muito pela internet, “nós não sabemos a batalha interna que cada um está lutando”. Precisamos falar da saúde mental para aprendermos a ser gentis, a ter empatia. 



Nós temos nossos próprios monstros dentro da gente, e cabe a nós, somente nós, a ter coragem de encará-los de frente, de libertá-los, de deixá-los a solta e, com isso, poder conhecer melhor a nós mesmos. Na história do livro, Finch encontra Violet no topo da torre do relógio da escola. Ele, contando os dias que está “acordado”, que são os dias em que ele não está em um surto depressivo e vivendo a vida da forma que ele consegue. Ela, pensando se pula ou não da torre, contando os dias para que as aulas terminem e ela se veja livre de tudo aquilo, daquela vida, lutando todos os dias com a morte repentina de sua irmã. Os dois estão lutando uma batalha de sentimentos dentro de suas cabeças, e acabam sendo o alicerce um do outro. A narração é revezada com o ponto de vista dos dois personagens, onde podemos conhecer os dois lados.



É uma história de amor, de adolescentes, de ciclos que existem na nossa vida e que somos obrigados a enfrentar o seu fim. É sobre estar vivo, mas também é um livro que fala sobre querer morrer de forma bem aberta. Sobre essa cócega que alguns sentem dentro da mente e do coração, que dificilmente conseguem chegar a uma conclusão de se vale mais à pena ficar, ou ir.



As fotos que ilustram esse post são de um ensaio que fizemos no Parque do Ibirapuera em São Paulo inspirado pela história do livro. Por Lugares Incríveis acabou salvando nossas vidas de diferentes formas, e esse ensaio acabou sendo uma forma de agradecer a autora por contar essa história e de também colocar pra fora o que sentimos em cada parte do livro. 

"De acordo com minha experiência, as pessoas são muito mais compreensivas se conseguem ver a sua doença. [...] Desliguei de novo. Apaguei."


"O que percebo agora é que o que importa não é o que a gente leva, mas o que a gente deixa para trás."

"Conheço a vida bem o suficiente para saber que não podemos acreditar que as coisas vão ser sempre iguais, não importa o quanto a gente queira. Não podemos impedir que as pessoas morram. Não podemos impedi-las de ir embora. Não podemos impedir nós mesmos de ir embora."


"Não sou perfeita. Tenho segredos. Sou uma bagunça. Não só o meu quarto, mas eu mesma. Ninguém gosta de bagunça."
“Uma corrente de pensamentos passa pela minha cabeça como uma canção grudenta, de novo e de novo sempre na mesma ordem: Sou defeituoso. Sou uma fraude. Sou impossível de amar.”


 "Você foi, sob todos os aspectos, tudo o que alguém poderia ser... Se existisse alguém capaz de me salvar, seria você."

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